Frente a frente com os ‘big five’ em safári na África do Sul


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JOHANNESBURGO – Ao passar pela cancela do Parque Nacional Kruger, a adrenalina era grande. Após uma manhã inteira de viagem — que incluiu dois voos de uma hora cada (de Durban a Johannesburgo e de Johannesburgo a Nelspruit), mais duas horas de carro —, eu queria apenas embarcar logo no 4×4 do safári. E, com sorte, dar de cara com todos os big five, livres, livres, na natureza.

O primeiro apareceu no meio da trilha de terra, aos cinco minutos da primeira incursão — de fato, nós, os intrusos na savana sul-africana, é que surgimos no meio da estrada. Era um rinoceronte. Quinze minutos depois, assistiríamos a uma cena rara: um leopardo devorando um impala no alto de uma árvore. Nessa hora, o coração bateu mais forte. O rinoceronte e o leopardo fazem parte do grupo dos cinco animais mais perigosos para o Homem na Terra. Ao lado deles, estão o búfalo, o elefante e, claro, o leão.

A busca pelos cinco é a maior atração do parque nacional da África do Sul, com cerca de 20 mil km² — quase do tamanho de Israel — e lar para 147 espécies de mamíferos, nas províncias de Mpumalanga e Limpopo. Explorar o Kruger e sua vida selvagem é hoje uma das experiências mais procuradas pelos turistas que visitam o país de Nelson Mandela.

Mas não paramos por aí: para os amantes de paisagens incríveis, os safáris estão longe de ser a única opção na África do Sul. Uma visita ao Kruger pode ser conjugada com a Rota Panorâmica, destino menos conhecido dos brasileiros e que é caminho para Johannesburgo, porta de entrada para voos do Brasil.

O roteiro, na província de Mpumalanga, tem como ponto de partida a pequena cidade de Graskop, nos arredores do parque nacional, e surpreende desde o começo: os tons de ocre das planícies do Kruger dão lugar à explosão de verde de florestas e montanhas, de onde descem rios e cachoeiras. Não à toa, um dos locais de parada se chama God’s Window (Janela de Deus), onde, do alto de uma escarpa, avistam-se os cânions.

Aliás, o terceiro maior cânion do mundo fica na rota — é o Blyde River Canyon, com seus paredões de granito de 800 metros de profundidade, por onde passa o Rio Blyde, com 24km de extensão. Além de uma das maravilhas naturais da nação do arco-íris (assim chamada pela diversidade da população), é considerado o maior cânion verde do planeta. O percurso pode ser feito de carro — em estradas bem sinalizadas e em ótimo estado. Vale passar ao menos dois dias observando a natureza ao redor.

Com tempo para conhecer mais do país, depois de savanas, florestas e cachoeiras, a dica é relaxar à beira-mar. Durban, banhada pelo Oceano Índico, é praiana e exótica. Terceira maior cidade do país, menos famosa entre brasileiros que a Cidade do Cabo, tem sabor de curry, pela influência dos indianos que migraram para lá. Gandhi viveu em Durban, lugar onde, entre uma onda e outra sobre a prancha de surfe, é possível dar um mergulho na História.

PARQUE KRUGER: MOMENTOS DE AVENTURA

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Zebras bebem água no Parque Nacional Kruger, na África do Sul – Ludmilla de Lima / O Globo

No país onde a palavra liberdade tem significado especial, as únicas cercas (elétricas) que o turista vai encontrar no Parque Nacional Kruger estão em volta dos locais de hospedagem. No restante da área, a vida segue sem grades e sem a interferência de tratadores ou veterinários. Zebras, girafas, hipopótamos, hienas, macacos, guepardos e antílopes são alguns dos bichos que vivem por lá, além dos big five. Vale lembrar que não estamos num parque de diversões.

Avistar um leão, por exemplo, depende de um misto de sorte e conhecimento dos guias dos game drives (como são chamadas as expedições). Caso o visitante escolha fazer o safári por conta própria, em carro alugado, é imprescindível buscar dicas antes com locais, para não correr o risco de passar horas na savana sem ver ao menos um elefantinho.

No Nordeste da África do Sul, o Kruger, que faz fronteira com Zimbábue e Moçambique (e integra um parque transfronteiriço), é considerado uma área democrática. Recebe cerca de 1,5 milhão de vistantes por ano, com ou sem muito dinheiro: no lugar, há de acampamentos para mochileiros (a US$ 17 o casal) a lodges de luxo (onde a diária por pessoa ultrapassa US$ 1 mil, incluídos refeições e passeios). Nos limites do parque, há reservas naturais privadas, com hotéis de selva, onde é permitido aos rangers (motoristas e guias) sair das estradinhas e adentrar a vegetação em carro aberto à procura de animais. Momento aventura total.

No parque, quem passeia em carro alugado só pode circular com vidros fechados e pelas estradas demarcadas, algumas asfaltadas. Pode-se também integrar um safári, em carros grandes e abertos.

Observação à distância de um braço

É quase impossível sair frustrado. O parque estima a existência de 1.500 leões em sua área, assim como de mil leopardos, 2.500 búfalos, 12 mil elefantes e cinco mil rinocerontes (brancos e negros). Em quatro safáris em carro aberto na reserva privada de Sabi Sands, foi fácil observar boa parte dos animais mais famosos da savana sul-africana. Na região, a melhor época para avistá-los é de abril a outubro.

http://oglobo.globo.com/boa-viagem/frente-frente-com-os-big-five-em-safari-na-africa-do-sul-19843695